Uma das grandes diferenças entre a ética estóica e a ética cristã é o juízo sobre o prazer e a dor. Para o estóico, a dor é “inimiga da natureza” [por exemplo, Aulo Gélio]; para o cristão, a dor faz parte da própria natureza (humana) [por exemplo, S. Tomás de Aquino].
Sobre o prazer, o estóico diz que não é um bem nem um mal — não é um vício nem uma virtude, excepto “se o prazer se transforma em paixão” e assim se transforma em vício — o que entra em contradição com a concepção estóica de “virtude em conformidade com a natureza”, porque ao ser humano deveria aplicar-se, ao contrário do que defende a ética estóica, a natureza humana propriamente dita, e não uma outra natureza de um outro animal qualquer.
Em contraponto, o cristão diz que o prazer é um bem ou um mal consoante o entendimento que se tem dele, em função da natureza humana e não de uma outra natureza de um outro animal qualquer, e em função do Fim Último para além do qual não é possível qualquer regressão lógica.
Na modernidade, a ética estóica misturou-se com o epicurismo; e desta mistura surgiu a tentativa contemporânea de justificar eticamente todo e qualquer tipo de prazer, alegadamente "desde que não excessivo"; e transformou-se a dor em algo de não-natural que deverá ser eliminada através do “suicídio assistido” — segundo o estoicismo, o sábio estóico não deve temer o suicídio.
A ética cristã é, de facto, o sistema ético mais belo que o ser humano alguma vez conheceu, porque ao conceber um Fim Último que o transcende, não troca os meios pelos fins [e vice-versa] ad infinitum, dando-lhe uma coerência lógica e racional que não existe em mais nenhum outro sistema ético.