quinta-feira, 3 de maio de 2012

Depois dos Homéridas gregos, temos hoje os “Ó-Merdas”


Depois dos Homéridas gregos, temos hoje os “Ó-Merdas”

by O. Braga

Eu não vi o Ágora. Aliás, por estes dias, praticamente não vou ao cinema. Portanto, vou escrever baseando-me naquilo que foi escrito e dando-o previamente como verdadeiro.
Dizer que a religião transcendental é “coisa perigosa”, porque alegadamente “é causa de violência”, é a mesma coisa que dizer que “a guerra de Tróia teve a sua origem no Amor”. Só um idiota chapado se lembraria de uma coisa dessas.
Antes de mais, o texto transcrito do Combustões mereceria, por si só, um verbete dedicado, embora entronque na mesma visão gnóstica da realidade que me parece subjacente ao filme. Desde logo, e ao contrário do que o Combustões refere, não foram os cristãos que deram cabo da civilização greco-romana, mas foram as hordes bárbaras. O Combustões tem uma boa retórica, mas enviesa — não sei se propositadamente. O Combustões deveria saber que não foi Hipátia que descobriu o sistema de translação dos planetas, mas que foram os Pitagóricos, mil anos antes de Hipátia, que lançaram a primeira teoria do sistema solar.

O monoteísmo é composto basicamente por três religiões diferentes que não podem ser metidas todas no mesmo saco — como o Combustões faz. Pior do que uma análise incorrecta, é uma análise simplista. Porém, uma das características do monoteísmo foi aquilo a que Mircea Eliade chamou de “diferenciação cultural”. Por exemplo, uma diferenciação cultural foi a descoberta do fogo; outra diferenciação cultural foi a descoberta da roda; e, por fim, outra diferenciação cultural foi a descoberta da agricultura entendida, em si mesma, como actividade económica.
A diferenciação cultural imposta pelo monoteísmo significa o aparecimento, pela primeira vez, de uma forma clara, e [que se saiba] desde que existem documentos acerca do homo sapiens sapiens, da noção de “transcendência”. A noção de transcendência é de tal forma difícil de configurar pela mente humana que o físico quântico francês Roland Omnès lhe chama “abyss” [o abismo] (in “A Filosofia Quântica”, por Roland Omnès). Basicamente, a noção de transcendência separa a realidade em três: a matéria [que tem massa], a imanência [que não é matéria mas é imanente à matéria; por exemplo, a onda quântica pura; ou o tempo], e a transcendência que é o “abismo” segundo Roland Omnès.

A maçonaria caracteriza-se essencialmente pelo deísmo — o mesmo tipo de deísmo de Voltaire, de Montesquieu, de Diderot, etc.. O “supremo-arquitecto” da maçonaria é um demiurgo imanente, na esteira das ideias de Espinoza de “Deus sive Natura”; em última analise, “supremo-arquitecto” da maçonaria é um sucedâneo do demiurgo dos gnósticos maniqueístas da antiguidade tardia; o demiurgo que se opunha ao Deus bíblico — e que, por sua vez, teve origem no mito imanente de Marduk e Tiamat, no “Enûma Elish”:
“Haja silêncio, queremos dormir” , pediram os deuses primordiais aos novos deuses activos. Foi então que Marduk, o deus da cidade da Babilónia, matou os seus pais (os deuses primordiais, que existiam antes dos “deuses activos” que surgiram de forças caóticas primordiais associadas à água, como é o caso do próprio Marduk), formando o céu e a terra a partir dos cadáveres dos seus pais mortos. Assim, o cosmos carrega uma culpa desde o seu início, culpa essa que é partilhada pelo ser humano. O deus Marduk criou o ser humano a partir do sangue do deus Kingu, que se tornara culpado perante os outros “deuses activos” — e assim, o ser humano carrega uma culpa fundamental.
A diferenciação cultural trazida pelo Judaísmo a partir o Exílio para a Babilónia [é importante esta marcação histórica!], mediante a noção de transcendência, é absolutamente revolucionária. Em contraponto, o deísmo é imanente, ou seja, significa um retrocesso cultural ao neolítico superior — com excepção, talvez, da cultura órfica e dos pitagóricos, que previam já, de certa forma, a transcendência, mas que se pautaram por um secretismo esotérico.
Portanto, qualquer defesa de uma religiosidade imanente não pode ser cristã; e pode ser mesmo ser considerada anti-cristã. Exemplos de religiosidades imanentes que constituem réplicas culturais do neolítico na modernidade: marxismo, o Historicismo, “aquecimentismo” global, cientismo, positivismo [é uma metafísica negativa], deísmo maçónico, a religião dos extra-terrestres alienígenas e a Cientologia, o naturalismo e o naturalismo metodológico, o evolucionismo, as religiões New Age do pós-modernismo, etc.

Dizer que a religião transcendental é “coisa perigosa”, porque alegadamente “é causa de violência”, é a mesma coisa que dizer que “a guerra de Tróia teve a sua origem no Amor”. Só um idiota chapado se lembraria de uma coisa dessas.
Quem mandou fechar as academias gregas pagãs não foi a populaça cristã: foi o imperador romano. Foi um imperativo puramente político e imperial que fez desaparecer a obra “Sobre a Natureza”, de Anaxágoras. E para aqueles idiotas que romantizam as religiões imanentes da antiguidade clássica e do neolítico, lembro o relato de Diógenes Laércio que escreve, preto no branco, que “os atenienses queimaram, no Ágora, os livros de Protágoras” (sic); e lembro que Platão defendeu, por escrito e pelo seu próprio punho, a proibição da divulgação da obra de Homero.
O. Braga | Quinta-feira, 3 Maio 2012 at 12:13 pm | Tags: religião | Categorias: A vida custa, cultura, Esta gente vota, filosofia, gnosticismo, Política, religiões políticas, Ut Edita | URL: http://wp.me/p2jQx-blE
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Obama pretende reescrever os Evangelhos cristãos

Obama pretende reescrever os Evangelhos cristãos

by O. Braga

«In a major foreign policy address last December in Geneva before United Nations delegates, Secretary of State Hillary Clinton identified "deeply-held … religious beliefs" as among "the obstacles standing in the way of protecting the human rights of LGBT [Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender] people."
Criticizing those who "cite religious or cultural values" to oppose "LGBT" rights, she then made a doctrinal point: if properly understood, "religious traditions" actually support the progressive march of "human rights" and sanction homosexual behavior.»
A reprovação do comportamento sodomita faz parte de uma ética racional, e portanto, da filosofia; por isso, não é exclusivamente parte das doutrinas das religiões universais.
Quando Obama e apaniguados se servem da religião para criticar a religião, pretendem passar a seguinte mensagem: “a crítica ao comportamento sodomita tem origem apenas de uma determinada interpretação da religião”.
Trata-se de uma falácia. De um modo semelhante, o Bloco de Esquerda, por exemplo, é um partido "libertário" de esquerda que tem por objectivo último o fim da liberdade; o Bloco de Esquerda diz-se arauto das liberdades para poder impor uma agenda política que acabe com as liberdades. Se ouvirmos os discursos de Hitler antes de subir ao Poder, eram análogos aos discursos de Francisco Louçã: Hitler falava constante e incessantemente em “liberdades” — e depois foi o que se viu.
A política de Obama segue um paradigma semelhante: interpreta a religião de uma certa forma, de modo a poder justificar a perseguição política às religiões. O que Obama e o politicamente correcto pretendem é que as religiões deixem de ter em consideração a ética e a filosofia, e deixem, por isso, de ter uma base racional.
Uma pessoa que não seja religiosa, mas que tenha “dois dedos de testa”, consegue perceber intuitivamente que “alguma coisa de errado se passa com o comportamento gay”. E essa percepção tem a ver com a ética e com a Razão — essa pessoa consegue intuir os princípios da ética, o que não significa que defenda a criminalização da sodomia.

  • Jesus Cristo, no episódio do encontro com a Samaritana, criticou a promiscuidade sexual. Está escrito no Novo Testamento [S. João, 4, 16 – 18].
  • Jesus Cristo afirmou, sem margem para dúvidas, que o acto sexual deve ser sempre entre um homem e uma mulher [por exemplo, em S. Marcos, 10, 6 – 9: “...mas, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu.]
  • Jesus Cristo defendeu a mulher que iria ser lapidada até à morte por adultério: “Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra” [S. João, 8, 7].
Portanto, o Cristianismo não criminaliza os comportamentos sexualmente desviantes, mas reprova-os claramente e sem margem para dúvidas — o que é conforme a uma ética racional. A permissividade ética em relação ao comportamento sodomita não é compatível com o Cristianismo — nem que Obama e Hillary Clinton inventem uma nova religião...!
O. Braga | Quarta-feira, 11 Abril 2012 at 4:16 pm | Categorias: A vida custa, cultura, Esta gente vota, homocepticismo, politicamente correcto | URL: http://wp.me/p2jQx-b0S



Divulgação: http://cultura-calvinista.blogspot.com/

Grupo de acadêmicos da Academia Brasileira de Ciências afrontados com o avanço do Design Inteligente no Brasil

Grupo de acadêmicos da Academia Brasileira de Ciências afrontados com o avanço do Design Inteligente no Brasil
http://biologiareformacional.blogspot.com.br/2012/04/grupo-de-academicos-da-academia.html

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Congresso Brasil 2012 d.C - VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião - Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global

Congresso Brasil 2012 d.C - VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião - Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – University of Oxford, 2-4 outubro de 2012
Rio de Janeiro, Brazil

O Ian Ramsey Centre for Science and Religion da Universidade de Oxford, unindo forças com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro organizarão o VII Congresso Latino-Americano sobre ciência e Religião: “Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global”.

O VII Congresso Latino-Americano será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil. Será patrocinado pela Fundação Decyr, o instituto CECIR (UPAEP) e apoiado pelos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Religião (PUC SP, Brasil) e de Teologia (PUC-Rio). Este congresso é parte de uma longa tradição de congressos sobre o tema que começou em Puebla, México, em 2002, com o I Congresso Latino-Americano: Ciência e Religião, uma Nova Cultura de Colaboração, organizado pela Fundação Decyr e o Instituto Cecir. Esta tradição continuou com congressos na Argentina, México e Cuba. Veja os congressos passados.

A América Latina apresenta uma perspectiva única no âmbito do diálogo internacional sobre as relações entre ciência e religião. Não só é uma região geográfica rica em tradições religiosas, mas também é onde as perspectivas acadêmicas continental e anglo-saxã se encontram, proporcionando soluções originais para problemas regionais e globais.

A complexidade inerente encontrada nas relações entre ciência e religião historicamente tem sido estudada a partir de uma destas perspectivas, mas muito poucas vezes a partir de um abordagem que complementa as duas tradições. Este é o tipo de abordagen que se poderia esperar de estudiosos latino-americanos, oferecendo novos modos de investigar estas questões. As 'Grandes Questões' que geralmente são discutidas sobre a relação supracitada incluem tópicos difíceis e variados como, por exemplo, a origem do universo e da vida, a possibilidade e modalidade da ação de Deus no mundo, a capacidade da ciência para explicar a liberdade humana, a especificidade da pessoa humana, entre outros.

Entre os convidados internacionais do VII Congresso Latino-Americano que aceitaram participar, encontram-se: Prof. Peter Harrison (Research Professor and Director of the Centre of the History of European Discourses, University of Queensland, Australia), Prof. Ronald Numbers (Hilldale and William Coleman Professor of the History of Science and Medicine, University of Wisconsin–Madison, US), Prof. Marcelo Gleiser (Appleton Professor of Natural Philosophy and Professor of Physics and Astronomy, Dartmouth College) and Dr. Andrew Pinsent (Ian Ramsey Centre, University of Oxford).

O VII Congresso Latino-Americano: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global convoca a acadêmicos de todas as ciências, filósofos, teólogos, historiadores, antropólogos, educadores, etc., para enviar resumos de documentos com no máximo 350 palavras para avaliação, oferecendo exposições não superiores a 20 minutos com 10 minutos de discussão. As perspectivas e abordagens que propiciam o envolvimento com as grandes questões do universo e com um novo diálogo entre ciência-religião são múltiplas e se convida especialmente a apresentação de novos métodos para facilitar e iluminar tal diálogo.

A Comissão acadêmica do Congresso convoca, por conseguinte, exposições em qualquer uma das seguintes áreas:

História, Filosofia e Sociologia do Diálogo Ciência-Religião
Teologia e Ciência Contemporânea
Antropologia: o problema da pessoa
Religiões e Cosmovisões Nativas Prehispânicas e a Ciência Contemporânea
Filosofia da Religião e Ciência Contemporânea
Psicologia e Religião
Ciências Cognitivas da Religião
Ateísmo, Religião e Ciência
Emergência e Complexidade
Educação em Ciência e Religião

O VII Congresso Latino-Americano: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brazil.

Os idiomas da conferência serão o Português, Castelhano e Inglês.

O prazo máximo para o envio dos resumo é 30 de junho, 2012 (anexar breve CV). Enviar a latin.america@theology.ox.ac.ukEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

O VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global é possível graças à generosidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, como instituição anfitriã. O Congresso aprecia igualmente o generoso patrocínio da Fundação John Templeton. As opiniões expressas pelos participantes são próprias e não refletem necessariamente o ponto de vista dos patrocinadores e os organizadores do congresso.

Comissão Acadêmica:

Dr. Eduardo Rodrigues da Cruz (PUC-SP, Brasil)
Dr. Luís Corrêa Lima (PUC-Rio, Brasil)
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (PUC-Rio, Brasil)
Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos (USP, Brasil)
Dr. Andrew Pinsent (Oxford)
Dr. Ignacio Silva (Oxford)
Dr. Alexander Moreira-Almeida (UFJF, Brasil)
Dr. Charbel Nino El-Hani (UFBA, Brasil)
Dr. Antônio Augusto Passos Videira (UERJ, Brasil)
Dr. Rafael Vicuña (U Catolica, Chile)
Dr. Lucio Florio (U Catolica, Argentina)
Dr. Eugenio Urrutía Albisúa (UPAEP, México)

Comitê Organizador:

Dr. Eduardo Cruz (Brasil)
Dr. Luís Corrêa Lima (Brasil)
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (Brasil)
Dr. Andrew Pinsent (Oxford)
Dr. Ignacio Silva (Oxford)
Dr. Alexander Moreira-Almeida (Brasil)
Dr. Lucio Florio (Argentina)
Dr. Eugenio Urrutía Albisúa (México)
Dr. Pablo A. Zunino (Brasil)
Frederik Moreira dos Santos (Brasil)

Fonte: http://www.cyral.org/pt/congressos/49-brazil-conference-2012

Divulgação: http://metodologiadoestudo.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de março de 2012

O prazer e a dor, segundo o estoicismo e o Cristianismo

 

by O. Braga

Uma das grandes diferenças entre a ética estóica e a ética cristã é o juízo sobre o prazer e a dor. Para o estóico, a dor é “inimiga da natureza” [por exemplo, Aulo Gélio]; para o cristão, a dor faz parte da própria natureza (humana) [por exemplo, S. Tomás de Aquino].
Sobre o prazer, o estóico diz que não é um bem nem um mal — não é um vício nem uma virtude, excepto “se o prazer se transforma em paixão” e assim se transforma em vício — o que entra em contradição com a concepção estóica de “virtude em conformidade com a natureza”, porque ao ser humano deveria aplicar-se, ao contrário do que defende a ética estóica, a natureza humana propriamente dita, e não uma outra natureza de um outro animal qualquer.
Em contraponto, o cristão diz que o prazer é um bem ou um mal consoante o entendimento que se tem dele, em função da natureza humana e não de uma outra natureza de um outro animal qualquer, e em função do Fim Último para além do qual não é possível qualquer regressão lógica.
Na modernidade, a ética estóica misturou-se com o epicurismo; e desta mistura surgiu a tentativa contemporânea de justificar eticamente todo e qualquer tipo de prazer, alegadamente "desde que não excessivo"; e transformou-se a dor em algo de não-natural que deverá ser eliminada através do “suicídio assistido” — segundo o estoicismo, o sábio estóico não deve temer o suicídio.
A ética cristã é, de facto, o sistema ético mais belo que o ser humano alguma vez conheceu, porque ao conceber um Fim Último que o transcende, não troca os meios pelos fins [e vice-versa] ad infinitum, dando-lhe uma coerência lógica e racional que não existe em mais nenhum outro sistema ético.
O. Braga | Domingo, 11 Março 2012 at 12:59 pm | Tags: cristianismo, estoicismo | Categorias: ética, filosofia | URL: http://wp.me/p2jQx-aFl

Divulgação: http://cultura-calvinista.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Não existe maior e mais execrável paternalismo do que o do Estado-monopólio

Não existe maior e mais execrável paternalismo do que o do Estado-monopólio

by O. Braga

"Há décadas que, por opções ideológicas e populismo eleitoral, os poderes públicos nacionalizam as esmolas.
Metem-se entre pobres e benfeitores, tributando os segundos para ter o mérito de ajudar os primeiros. A fúria regulatória de uma burocracia crescente persegue qualquer obra de solidariedade, enquanto cria alternativas estatais para as estrangular. Foi este suposto Estado-providência que se mostrou insustentável. Agora os poderes públicos têm de encontrar o seu lugar subsidiário numa sociedade equilibrada."
Numa sociedade civilizada, justiça e igualdade não são valores sinónimos ou equivalentes. E se podemos criticar a atitude de quem dá aos pobres para aparecer na fotografia dos jornais, também podemos criticar o Estado que isola e atomiza o cidadão em nome de uma caridade de imposição obrigatória. Não existe maior e mais execrável paternalismo do que o do Estado-monopólio.

«E chegou uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, no valor de apenas um quadrante. E Ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: "Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre, porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento."»
--- S. Marcos, 12,42
Na Igreja Católica sempre existiram duas vertentes ideológicas que, mais ou menos abertamente, se opuseram ao longo da sua existência: os seguidores de Aristóteles e de S. Tomás de Aquino, por um lado, que defendiam o livre-arbítrio do ser humano e a exteriorização das obras do cidadão — o cidadão é livre e revela a sua virtude mediante as suas obras, pela sua acção concreta em prol da comunidade.
Por outro lado, a vertente que decorreu de uma determinada interpretação da ética de Santo Agostinho, interpretação essa que é eminentemente determinista, intuicionista e subjectivista: o que interessa é aquilo que o cidadão pensa e sente acerca da comunidade, e não propriamente as obras que o cidadão faz em prol da comunidade: as obras devem preteridas e secundarizadas na medida em que pouco valem em função do determinismo divino que definiu, prévia e respectivamente, os dignitários da salvação e da condenação. Com o advento da modernidade, este determinismo divino, segundo Lutero e Calvino, transformou-se mais tarde no determinismo absolutista do Estado.
A segunda corrente — a de Santo Agostinho — marcou o Jansenismo, a Escola de Port-Royal e a Reforma luterana: para Lutero, as obras do cidadão em prol da comunidade deveriam ser deixadas ao Estado que subjuga e controla a religião e a comunidade religiosa organizada. Em lugar de se dedicar às obras de caridade, o cidadão deve antes dedicar-se ao trabalho.
A primeira corrente — a de S. Tomás de Aquino — marcou a Contra-reforma católica e significou o triunfo dos princípios da ética de S. Tomás de Aquino no seio da Igreja Católica. Porém, estas duas correntes ainda hoje se degladiam... e, em minha opinião, a corrente tomista é aquela que realmente marca indelevelmente o verdadeiro conservadorismo político: não me interessa grande coisa aquilo que um homem pensa, porque não sou capaz de julgar a sua subjectividade e de aferir a sinceridade dos seus sentimentos. Antes, interessa-me aquilo que o homem faz [o comportamento do Homem].

O. Braga | Terça-feira, 21 Fevereiro 2012 at 9:22 am | Tags: S. Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Tomás de Aquino | Categorias: ética | URL: http://wp.me/p2jQx-aoC


Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A inversão revolucionária da moral

A inversão revolucionária da moral

by O. Braga

O Cardeal Colorido
Este texto do Padre Nuno Serras Pereira é revelador de um fenómeno cultural, no mínimo, preocupante: quem hoje critica e condena moralmente o aborto é considerado um “radical religioso e perigoso de extrema-direita”.
Não se trata de uma mera opinião em relação a quem critica o aborto: antes, trata-se cada vez mais de uma posição oficial e instituída pelas elites e pelo Estado através dos me®dia : quem é contra o aborto passa a ser uma espécie de “terrorista em potência”. Um dia destes será possível ver os serviços secretos a investigar os cidadãos Pró-Vida.
Vivemos num mundo cada vez mais irracional: quem defende a vida humana passou a ser alguém “perigoso” e “radical”; passa nos me®dia a ideia segundo a qual “é preciso ter muito cuidado com os perigosos radicais que defendem a excepcionalidade da vida humana”. O absurdo toma conta da realidade.
O mais grave é que alguns sectores da Igreja Católica portuguesa — por exemplo, a Rádio Renascença que depende directamente do “arcebispo colorido” — patrocinam subrepticiamente o encurralamento político e cultural de pessoas que defendem apenas a validade racional do senso-comum.

O. Braga | Domingo, 19 Fevereiro 2012 at 10:05 am | Categorias: A vida custa, aborto, ética, cultura, Esta gente vota, me®dia | URL: http://wp.me/p2jQx-ane

Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Philosophy as The Discipline of The Disciplines por D.F.M.Strauss.

Philosophy as The Discipline of The Disciplines por D.F.M.Strauss.





D.F.M.Strauss, Philosophy as The Discipline of The Disciplines.
715 pp ISBN 978-0-88815-208-4.


http://www.amazon.com/asin/dp/0888152078/
http://www.amazon.co.uk/asin/dp/0888152078/
http://www.loot.co.za/shop/main.jsp

This new work by Danie Strauss must now be called The Definitive Statement regarding The Philosophy of The Cosmonomic Idea. In effect, it is the New Critique for the twenty first century in that it not only covers the entire range of the fundamental ideas developed by Herman Dooyeweerd more than seventy years ago, but it does so entirely within the spirit of Dooyeweerd’s work. Strauss systematically develops a number of themes that are troublesome in Dooyeweerd’s formulation and manages to provide us with significant resolutions. Perhaps the single most important contribution to theoretical analysis as such, is his elaboration of the relationship between Conceptual Knowledge and Concept Transcending Knowledge (Idea Knowledge). This relationship is central to all forms of discrimination and is pervasively evident in the cultural traditions of both the East and the West. This work will be the starting point for systematically coherent analysis in all disciplines as Strauss convincingly makes his case that Philosophy is the Discipline of The Disciplines.

Fonte via: http://www.allofliferedeemed.co.uk/strauss.htm

Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com / http://metodologiadoestudo.blogspot.com