"Yet, scepticism, says the French philosopher Jacques Maritain, “is one of the most alarming symptoms of the crisis of our civilization” (Man and the State, 1951). It is a disturbing sign of what ails some college and university podiums."
O Cepticismo (com maiúscula) é uma doutrina filosófica fundada na antiga Grécia por Pirron de Élis segundo a qual “não podemos ter a certeza de alcançar a Verdade” — o que é diferente de dizer que “a Verdade” [com maiúscula, ou seja, a verdade absoluta] “é inacessível à condição humana”: quem afirma que a Verdade é inacessível, tem uma opinião acerca da Verdade; mas quando os cépticos dizem que não podemos ter a certeza de alcançar a Verdade, pretendem suspender a opinião [suspensão da opinião] acerca da Verdade; ou seja, a opinião acerca da Verdade, mesmo que fundamentada na lógica, passa a ser proibida — o que é um absurdo e uma contradição da parte dos cépticos, porque a verdade absoluta é sempre o objectivo de cada afirmação, mesmo que esta afirmação seja a negação da afirmação; o céptico, ao dizer que “não podemos ter a certeza de alcançar a Verdade”, entra em autocontradição, na medida em que pretende que esta afirmação seja verdadeira.
Bertrand Russell
Convém dizer que existe uma diferença entre a “dúvida céptica” [Hume ou Bertrand Russell, por exemplo], por um lado, e a “dúvida metódica” de Descartes ou Kant, por outro lado. O texto respigado acima parece não fazer essa distinção. A dúvida metódica de Descartes é uma dúvida provisória que só prevalece enquanto não se descobre a verdade — ao contrário da dúvida céptica que é perene e proíbe a opinião.
Também não devemos confundir o Cepticismo com a indagação de Sócrates ou com a Douta Ignorância [Teologia Negativa] de Nicolau de Cusa.
O reconhecimento da pequenez humana, face ao universo e à realidade, é uma constatação de facto que Nicolau de Cusa reduziu ao conceito de Douta Ignorância; não se trata aqui de proibir a opinião acerca da Verdade, mas apenas de constatar um facto insofismável — Nicolau de Cusa renuncia a uma afirmação de conteúdo [explicativa] acerca da Verdade [porque o conteúdo da Verdade é inacessível à condição humana], mas não recusa uma afirmação formal [descritiva filosófica e/ou científica] acerca da Verdade [podemos descrever a forma da Verdade mesmo que não possamos ter acesso ao seu conteúdo].
Quando Sócrates se questiona a si e aos outros acerca da realidade, não procura calar as opiniões: pelo contrário, Sócrates pratica a maiêutica ou arte de procura da verdade.
A procura da verdade leva-nos às teorias [filosóficas e/ou científicas], o que significa que é bem melhor ter uma teoria, por mais absurda que possa ser considerada, do que não ter nenhuma teoria [suspensão da opinião, tal como os cépticos defendem].
O Cepticismo entranhou-se na nossa cultura antropológica por via da cultura intelectual. A razão por que os intelectuais e os académicos pregam a verdade da não-verdade tem a ver com a mesma razão pela qual Hume defendeu o seu cepticismo no intuito de uma afirmação alternativa da sua condição, contrária à ordem universal e necessária: o Cepticismo é a recusa da realidade [e da Verdade] em nome da subjectividade elevada a verdade absoluta.
O. Braga | Segunda-feira, 21 Novembro 2011 at 9:13 am | Tags: cepticismo, Moral | Categorias: ética, cultura, filosofia, politicamente correcto | URL: http://wp.me/p2jQx-9eS